Morrostock 2017 ato político ou festival? Os dois!

 

Foto: Ana Karoline Castilhos

Cada vez mais as pessoas sentem a necessidade de se desconectar da vida cotidiana, na busca por liberdade e autoconhecimento. No ápice de uma crise ideológica, política e social, a cultura entra em cena como uma ferramenta de luta importantíssima. E foi com essa pegada que o Morrostock 2017 chega com tudo pra abalar o coração do RS.

A equipe do Cena Livre fez as malas, e foi até Santa Maria da Boca do Monte conferir esse Festival, que na edição de 2017 completa 11 anos de “universo morrostockiano”. De acordo com o Produtor e Diretor do evento, Paulo Zé Barcellos “o principal objetivo do Morrostock é unir a música a um movimento de conscientização ambiental e também a preservação de patrimônio natural, histórico e cultural, através de um festival pensado como um todo integrando oficinas, trilhas ecológicas, shows e apresentações artísticas.

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No Balneário Ouro Verde, em meio a natureza, o barulho da água correndo foi segundo plano para muita música, cultura e coletividade.  Onde as filas são apenas mais uma desculpa pra conhecer pessoas novas e ganhar abraços sinceros, cerca de duas mil pessoas se reuniram pra conferir as mais de 45 bandas, além de mais de 150 colaboradores, no final de semana de 1 a 3 de dezembro. Sem sinal de celular e ainda com uma chuvinha pra transformar a terra em lama, a utopia se renova mais um ano, tornando o Morrostock uma experiência única e indescritível.  

 

Mais um ano de muita música, cultura e apreciação à natureza, mas também foi de muito FORA TEMER e muito BASTA pra bagunça que o nosso país se encontra. Afinal, em um evento que promove e celebra a liberdade, igualdade e diversidade, só poderia ter esse papel revolucionário, ainda mais em meio à tantos conflitos contra todos os avanços culturais e sociais que estão fora da agenda conservadora de Brasília, Bandas como Ventre e Francisco El Hombre  entonavam mensagens que inspiram luta e resistência contra todo esse retrocesso.

Foto: Jeferson Kikonaga

Entre bandas como Tamboobeat, Mulamba, Dingo Bells, Musa Híbrida, Mar de Marte, Bloco da Lage e Mutantes, o Balneário estremeceu com uma grande diversidade de estilos musicais, desde tonalidades de cumbia argentina e tambores elétricos à tons refinados de vocais em uma inversão de instrumentos, como uma dança no palco.

Também é importante ressaltar que essa edição do Morro foi invadida pela presença DELAS. A grande maioria das artistas do festival (e quiçá do público em geral) eram mulheres que inspiraram e emocionaram a galera durante todos os dias do festival. A banda Ventre, por exemplo, soltou o som em um show incrível e um papo reto, falando inclusive sobre a PEC 181, que foi um retrocesso da luta das mulheres pelo direito de seus corpos.

Banda Ventre

As vibes também foram de muita paz e amor, os elementos mais fortes da resistência. Oficinas do amanhecer ao anoitecer, com nossa conhecida Lola Flessak passando por todos os cantos do evento anunciando o início de cada atividade como por exemplo Oficina de Malabares, Ginecologia Natural, Introdução a Permacultura e muitas outras.

O festival se encaminhou para o final com a energia de ser uma rede de artistas, produtores e pessoas apaixonada por estilos de vida alternativos, empreendimentos criativos e seres mágicos, criando um microcosmos de utopia, arte y buena onda no meio do verde, deixando todos que participaram desta festa marcados com experiências inesquecíveis!

Foto: Jeferson Kikonaga

 

Por: Nadine Kowaleski Ribeiro e Ana Karoline Castilhos